A provocação eu já tinha ouvido há dois anos, durante uma apresentação no digitalage 2.0. Estranho é que, passados dois anos de consolidação das redes sociais no mundo e no Brasil, ela se repita. Será que não estamos tendo competência para informar internamente o que o público alvo quer e precisa? E quanto às mudanças do perfil do público interno e suas novas demandas?

Esse questionamento do título em uma ressonância mais profunda foi feito pelo professor e diretor da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) Paulo Nassar, no evento “A Comunicação Interna nas melhores empresas para se trabalhar”, realizado pela Mega Brasil, durante o dia todo de hoje (25/11/11), no Espaço Vivo, em São Paulo.

Ao parafrasear Mc Luhan, dizendo que “informação em quantidade leva à catatonia” (#truefacts), ele afirmou que apesar de as narrativas de Comunicação organizacional serem da competência dos gestores da Comunicação, qualquer pessoa pode (e deve) trabalhar esta área, até porque “ninguém hoje está em território algum”, resultado também da avalanche que cada vez mais varre as paredes físicas das organizações para criar formas virtuais alternativas de trabalho.

Para Nassar, o grande desafio de quem lida com a Comunicação Interna é conhecer a fundo o modelo organizacional e os processos internos para disseminar esta cultura entre os mais novos, tornando a comunicação mais útil, compatível com o atual discurso reinante – misto resultante da maior interação dos próprios funcionários, também produtores de informação naquele universo – e voltada ao desenvolvimento de todos naquele ambiente.

Mas, na verdade, o “imbroglio” é muito maior. Nassar sacou a pirâmide de Maslow, sobre a qual debruçam as perguntas para aquelas empresas escolhidas como as melhores para se trabalhar. Como no atual momento do universo corporativo estas necessidades individuais de cada funcionário antes hierarquizadas são simultâneas, como realmente atender à demanda?

Foco no foco

As respostas são uma caixinha de surpresa – cada realidade empresarial tem suas “idiossincrasias”. Parto do pressuposto que se Comunicar é preciso, ser conciso, preciso e claro (leia-se transparência) é cada vez mais fundamental para se ter sucesso em processos de Comunicação Interna!  Já Paulo Nassar vai mais além ao dizer que qualquer processo de comunicação não pode prescindir de uma comunicação dentro da legalidade, visando à legitimidade da informação junto aos seus múltiplos públicos-alvo e, claro, com competência empresarial. Por que?  Porque a internet nos tornou múltiplos, móveis (moveholders), híbridos e ávidos de que nossa subjetividade pluralista seja ouvida e entendida.

É muita coisa, não é mesmo?  Mas é o que é, e somente com diálogo (e não a comunicação de cima para baixo, colarinho branco ou ainda de mão única) será possível sair-se bem num processo de comunicação interna.

“Os funcionários, que antigamente eram o patinho feito dentro das organizações, foram elevados à categoria de cisnes”, disse Paulo Nassar, para quem atuar em prol da alteridade, ou seja, a capacidade de o homem interagir, ser interdependente e, agora, como novo jargão das áreas de RH e Comunicação das empresas, um moveholder, é o grande drive do momento. E isso implica sair do ar condicionado, ir a todos os cantos da empresa para ouvir a todos os níveis hierárquicos e dialogar com eles, usando e abusando de mecanismos criativos para reter e engajar essa turma toda. Só assim será possível resolver a saturação informacional para evitar o esvaziamento progressivo de sentido em tudo o que, como comunicólogos, fazemos dentro do universo corporativo.

“Okay, você venceu, batatas fritas”, dizia o bordão da música da banda Blitz, que fez a minha geração. Os gestores de Comunicação combinam que prometem trabalhar nesta direção, integrando ao discurso itens como técnica, ética e estética. Mas, será o bastante?

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